h1

Conhecimento e promiscuidade

maio 25, 2007

“O conhecimento é promíscuo, se mistura.* ” Às vezes penso que a grande sacada do pensador, do filósofo, é traduzir com poucas palavras o que conhecemos e que é intrínseco. Tipo aquela inveja que a gente sente e que externamos como simples raiva, e não entendemos que é inveja até que alguém nos diga isso, ou apenas depois de muito nos analisarmos. Negamos a nós mesmos.
A promiscuidade é apenas mistura sem ordem. Pode dar uma olhada no dicionário, caso você suspeite que eu esteja usando de eufemismo. O conhecimento se mistura e dismistifica(ou não). O mesmo vinho tem gosto diferente para uma mesma pessoa, se entre o primeiro e o segundo gole essa pessoa conversou com alguém que entenda de vinho e esta lhe passou algumas dicas de degustação.
O conhecimento, além de promíscuo, altera a percepção em diversos níveis. Partindo da maçã que Adão comeu, da “Analogia da Caverna” de Platão até o  “Perceber é conceber” de Octavio Paz. Informações são jogadas a nós através de outdoors, spams, janelas de pop-up, outbus e etc, porém … o que é mesmo importante? Nem toda informação traz algum conhecimento que valha, isto é, se trouxer. E mesmo que batam em nossa porta informações importantíssimas, quantos de nós a deixamos entrar? A informação e consequentemente o conhecimento está sendo banalizado, sendo considerado um lugar-comum, algo que não chama mais tanta atenção. É ainda pior a questão sobre o que fazer com o conhecimento adquirido. Aí ele mostra mais uma face: a da embriaguez. Tem pessoas que se sentem no topo do mundo, ficam cegas e acabam por cair na armadilha do pensar que se é infalível. Quem seria assim com tanta informação fluindo em ondas que a gente nem vê?
Ainda penso que sábio mesmo foi Sócrates que disse saber nada saber. Ninguém detém a verdade absoluta e poucas são as barreiras em busca do conhecimento, o qual mexe com todos os sentidos, modifica mundos, contas bancárias e humores. Vou prometer deixar ele entrar caso ele bata na minha porta qualquer dia desses… quem sabe eu possa me contaminar e ver além do muro lá de casa. E o mais legal: contaminar as outras pessoas também.

*Alvin Toffler

peixe beta

Anúncios

One comment

  1. Adorei esse post. Gostei do blog também, vou ficar de olho 😉



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: